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影视先锋av资源站男人Amor, morte, poesia, política, actualidade, futebol, efemérides, solid?o, paz, humor, musica...tudo e nada; Here we talk about life, love, death,
On this day in History, poetry, politics, football (soccer), solitude, peace, humour, music ... nothing and all.

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José Saramago, o nosso Nobel da Literatura faleceu há dez anos

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Mas porquê, avó, por que te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida:«O mundo é t?o bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!»

José de Sousa Saramago nasceu na Azinhaga, Goleg?, 16 de novembro de 1922 — f. Tías, Lanzarote, Espanha a 18 de junho de 2010

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2020-06-16

Can??o amarga - David Mour?o-Ferreira



Que importa o gesto n?o ser bem
o gesto grácil que terias?
Importa amar, sem ver a quem...
Ser mau ou bom, conforme os dias.

Agora, tu só entrevista,
quantas imagens me trouxeste!
Mas é preciso que eu resista
e n?o acorde um sonho agreste.

Que passes tu! Por mim, bem sei
que hei-de aceitar o que vier,
pois tarde ou cedo deverei
de sonho e pasmo apodrecer.

Que importa o gesto n?o ser bem
o gesto grácil que terias?
Importa amar, sem ver a quem...
Ser infeliz, todos os dias!

David de Jesus Mour?o-Ferreira (Lisboa, 24 de fevereiro 1927 – Lisboa, 16 de junho 1996)

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2020-05-19

.Quand on ne s'aime plus - Julio Dantas


Ponto final. Adeus. Tinha previsto o fim.
Quiz muito, quiz demais... O culpado fui eu.
Se é que póde morrer o que nunca viveu,
Sinto que morreu hoje o teu amor por mim.

Fiz mal em vir? Talvez. Quizeste vêr-me: vim.
Que placidez a tua e que sorriso o teu!
Amor que raciocina é amor que morreu.
Pode lá nunca amar quem se domina assim!

Tinha de ser. Adeus. Deixas-me triste e doente.
Depois, qual é o amor que vive eternamente?
Tudo envelhece, e passa, e morre como tu.

Nunca mais me verás. ? a vida, afinal.
Dá-me o ultimo beijo e n?o me queiras mal...
Il faut rompre en pleurant quand cn ne s'aime plus.


manteve-se a grafia constante da publica??o
in Revista ATLANTIDA, N?. 1, 15 de Novembro de 1915, Lisboa

Júlio Dantas (Lagos, 19 de maio de 1876 — Lisboa, 25 de maio de 1962)

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2020-05-05

Anuncia??o - Luís Amaro


Imprecisa e grácil te imagino
Rasgando de esperan?a a noite enorme
E iluminando o cora??o soturno
Que mora, exilado, em mim.

Teu vulto vence a névoa do crepúsculo
e detém meus passos sem destino
A beira da noite hiante e pálida
Com, lá no fundo, a minha imagem
Desfigurada e triste, arrependida...

E tua lembran?a é o perd?o, a luz,
A vida que desponta nas raízes
Mais íntimas do ser.

Vens, irreal e presente, ao meu encontro,
Cabelos soltos ao vento da manh?,
E dos teus lábios desprende-se a Palavra...

Flui de teus olhos a música das fontes!

in «Poesia 71»,
Porto: Editorial Nova, 1972

Francisco Luís Amaro, nasceu em Aljustrel, em 05 de maio de 1923; m. Lisboa, 24 de agosto de 2018.

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2020-03-05

PRECE - Pedro Homem de Mello


Talvez que eu morra na praia
Cercado em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho

Talvez que eu morra na rua
?nvia por mim de repente
Em noite fria sem lua
Irm?o das pedras da rua
Pisadas por toda a gente

Talvez que eu morra entre grades
No meio duma pris?o
E que o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu cora??o

[Talvez que eu morra dum tiro
Castigo de algum desejo
E que à mercê desse tiro
O meu último suspiro
Seja o meu primeiro beijo]

Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As m?os em cruz sobre o peito…
Das m?os de Deus tudo aceito
Mas que morra em Portugal

in Adeus [1951]

Extraído de O Fado da Tua Voz, Amália e os Poetas, Vítor Pav?o dos Santos
Bertrand Editora

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